Vergonha!

Começou o mundial, morreu Saramago, estamos no verão e a praia é apetecível. No entretanto os burros e burras que governam este país - passo o palavrão que não arranjei palavra mais mansinha - fodem-nos como se não houve-se amanhã. Aumentam impostos, vêm com uma estupidez absurda de obrigar toda a gente a pagar 25€ para andar na auto-estrada, cortam as bolsas aos estudantes do ensino superior, fecham escolas primárias, restringem as bolsas de investigação apenas aos nacionais… só merda, uma desgraça a porcaria dos palhaços que nos governam, um repugno.
O povo português, cuja inteligência é o ponto que o destaca, não liga, mundial só há de quatro em quatro anos, não é? Não que eu seja contra esta febre que nos contagia com frequência bianual, mas, as barbaridades que nos têm feito não são mais importantes? Não, pelos jeitos não são. Nós portugueses, para além de burros que nem cepos, somos pessimistas (gostamos de estar na valeta, que ninguém duvide), egoístas e não vale a pena falar nos outros defeitos que começa a cheirar mal.
Vejamos, o Sócrates vem e diz que três SCUT, porque blá blá, e rendimentos médios da população, blá blá, e estradas alternativas, mais três ou quatro blá blás, vão passar a ser pagas. Primeiro, era pôr portagens manuais tais como sempre se usou, ou tem algum jeito ter que ter "uma matrícula electrónica" - expressão culta para identificador da Via Verde - obrigatoriamente para as pagar? As cabines de pagamento são caras (455 milhões se não me falha a coisa) mas a terceira auto-estrada que querem construir paralela às duas que já existem no litoral entre Lisboa e Porto aparentemente já não é! Que contra-senso! Que vão para o raio que os parta, que da minha privacidade cuido eu, não fosse a Brisa ser dona da Via Verde e ao mesmo tempo ter grandes compichas nos filhos da mãe que mandam nesta espelunca e toda a gente achava a ideia absurda! Depois o povo em vez de se unir, não, os que ficam com dor de corno por terem que pagar apontam o dedo aos que ficam isentos; o governo como é óbvio não quer ver ninguém descontente e trata logo do assunto, pagam todos e não se fala mais nisso.
Adiante, as bolsas de estudo para estudantes de ensino superior para o ano vão reduzir a abrangência em 30 ou 40 por cento devido a um decreto de lei feito às três pancadas que os tais de iluminados pariram cá para fora na sua infinita sabedoria. Citando o Público vai funcionar assim: "Até agora para o cálculo do agregado familiar, cada pessoa contava como “1”, a nova lei prevê que o requerente mantenha o mesmo peso, mas os restantes adultos valham “0,7” e as crianças “0,5”. Por exemplo, no caso de uma família de três adultos cujo rendimento é de 1000 euros mensais, a capitação é de 333 euros; agora passará a ser de 416 euros, o que significa que a família têm maiores rendimentos, logo, o acesso do estudante à acção social escolar é menor." Como é que ninguém ainda se tinha lembrado disto antes? Só falta algo do género para os coitados que recebem reformas de tal forma generosas que dão inclusive para comprar um papo-seco todos os dias, o leitor leu bem sim, todos os dias! Não será melhor cortar?
Por mim cortamos, vamos cortar em tudo. Estamos a fechar escolas primárias num sentido proporcional à qualidade de ensino que temos, para baixo, como é óbvio. Na saúde? O mesmo negócio, ora essa. Mas para os Magalhães, aí não, haja dinheiro em abundância, de preferência que caia algum ao bolso de quem inventou tão benevolente medida! Uns ajustes directos com a JP Sá Couto e todos estão felizes, toda a gente recebe dinheiro e o buraco lá dos cofres leva um rombo valente. Mas ai, que escândalo, foi tão flagrante que até a União Europeia lá andou a cheirar ver quem é que se tinha borrado!
Mas é assim mesmo, the portuguese way, cada um desenrasca-se como pode, e aqueles que andam lá em cima aproveitam-se bem… dei o caso do Magalhães e da Brisa, mas há mais. Este interesse todo pelas obras públicas terá alguma coisa a haver com os amigos íntimos que a Mota Engil, Somague ou Soares da Costa têm na classe política?
O que é certo é que há corrupção, falta de moral e de escrúpulos. Corta-se em tudo, que não há dinheiro, no entanto temos uma função pública que parece um cancro pelo o tamanho que tem comparativamente ao tamanho do pais, devolvemos fundos comunitários porque são mal empregues ou esquecidos na carteira de alguém, temos as regras laborais mais rígidas da OCDE, pretende-se derreter milhões em betão desnecessáriamente e quando se fala em redução do salário dos deputados (ainda que tenha ouvido falar que já levaram uma facadazinha, deve ser ideia do departamento de marketing lá da assembleia) os senhores de esquerda digam que os deputados também são trabalhadores e que é insustentável uma redução no ordenado. Puta que os pariu, é o que eu digo, quero emigrar até que haja para aí uma revolução e entrem as forças armadas no parlamento e disparem sobre tudo o que mexa!

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