Ainda sobre a Europa


Continuando a bater na mesma tecla. A União Europeia é provavelmente o novo D. Sebastião cá da malta! Afinal de contas Portugal, desde sempre, tem o péssimo hábito que é parasitar os outros. Ora vejamos, enquanto tivemos Brasil, vivemos do seu ouro, gritou-se a Ipiranga! Voltamo-nos para África. Mais uma vez fomos comendo, até que com a independência das colónias, no pós 25 de Abril, se viu o fundo ao tacho. Bem, pois tratou-se logo de arranjar quem nos sustenta-se, e entramos para a UE.
Temos desde então vivido felizes à custa dos fundos europeus, para grande gáudio, vá-se lá saber porquê, principalmente de agricultores, autarcas e construtores civis. Para além disto, segundo o que se tem dito para aí, cerca de 75% da legislação que tem entrado em vigor, provém da Europa, ou seja, são os salvadores da pátria, mas também põem as unhas na massa! Mas quem quer saber disso? Afinal de contas, e graças a Maastricht, temos as fronteiras abertas, à distância de um bilhete de identidade (ou cartão do cidadão, só para falar nas políticas do Sócrates), e mesmo os ingleses que não o assinaram, estão obrigados a deixar-nos entrar sem fazer muitas perguntas. Temos também o Erasmus, para o pessoal ir beber uns canecos, um semestre ou dois para o estrangeiro, aliás, trabalhar ou estudar nos restantes estados membros tornou-se nalgo estupidamente fácil de realizar, ainda temos o Euro, que nos deixa fazer isto tudo sem nos queimar as cabeças com os câmbios. Fala-se mal da União, julgo que por desconhecimento de causa, "ai e tal mas eles lixam-nos as pescas!", está bem, gostava de ver antes os nossos políticos a geri-las, e queria ver se não se dizia antes "isto é uma vergonha!", surpresa, é a expressão que mais se usa pelos populares.
Portugal é provavelmente um dos estados que mais tem beneficiado do sonho europeu, juntamente com a Espanha, e não fossem estes dois casos de sucesso, logo viam quais eram as Turquias e Croácias que quereriam entrar na União, nem pó! Provavelmente continuaria-se a fazer a Europa a 15, porque a adesão em massa dos países de leste não teria ocorrido (o que foi um acontecimento importante que alargou a nossa esfera de influência).
Diz-se também que "isto qualquer dia é os Estados Unidos da Europa", é verdade, a Europa é hoje em dia praticamente uma confederação, exceptuando que a defesa e negócios estrangeiros, áreas mais críticas, são responsabilidade de cada um dos estados membros, para além de que a União não assina tratados, vistos que os outorgantes são os próprios países, assim sendo, cada um destes continua com plena soberania para além que quem quiser, pode abandonar a organização (já aconteceu inclusivamente com a Gronelândia, uma possessão autónoma dinamarquesa). Aliás, é precisamente este estatuto supra-nacional que faz com que Portugal tenha alguma voz no mundo, que é amplificada internacionalmente pela União. Temos uma influência pequena, mas mesmo assim é maior que a do Burkina Faso. Além disso, num planeta governado pela hegemonia norte-americana - apesar de com Obama, as pessoas se esquecerem do anti-americanismo que se sentia quando o senhor que lá estava tinha sérias dificuldades em somar dois mais dois - é sempre bom ter o contraponto europeu, que curiosamente, obtém mais simpatia dos países emergentes e sub-desenvolvidos que os Estados Unidos.
Bem, isto tudo para quê? Só para dizer que não votem, votar é mau, faz mal ao fígado.

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